A Guerra Silenciosa
A Guerra Silenciosa é o nome do conflito perpétuo entre a humanidade, a Aliança e as entidades abissais conhecidas como Vexro. Não há linhas de frente fixas, nem declarações formais, nem possibilidade de negociações. Apenas a certeza de que, onde as sombras fluem, os Vexro podem surgir e apagar tudo.
Por que “Silenciosa”
A maioria esmagadora dos seres humanos e outras espécies aliadas jamais presenciou um ataque Vexro. A Starfall Alliance atua nos limites mais distantes, muito além das galáxias densamente habitadas, onde o espaço já silencia qualquer socorro. Para bilhões de seres vivos, os Vexro seguem como lendas, “contos proibidos” ou mitologia de medo.
O Conselho deliberadamente mantém esse silêncio. Após o pânico do Primeiro Contato, tornou-se evidente que a revelação crua poderia destruir a ordem social. Ignorância, neste contexto, é uma tática: enquanto só pilotos e alto comando confrontam a verdadeira natureza do inimigo, a civilização pode continuar — pelo menos por mais um ciclo.
“Quando um Vexro toca um sistema, nem mesmo o eco dos gritos atravessa de volta. A guerra é silenciosa porque os mortos não falam.”
— Anônimo, fragmento extraído do Vita Datacore.
[Sugestão de imagem: Espaço profundo visto de um cockpit, sensores detectando apenas um vazio púrpura absoluto.]
Números Ocultos
Os registros civis jamais conhecerão o real custo dessa guerra, mas estimativas internas e vazamentos do Vita Datacore revelam o tamanho do desastre:
- +2.400 pilotos vinculados e seus Vytar jamais retornaram do abismo desde a fundação da Aliança;
- +78.400 humanos (entre pilotos e tripulações) perdidos em naves capitais, de incursão ou batalha nos fronts estelares;
- +3.078.400 vidas humanas (civis e militares) perdidas na defesa dos sistemas, ou vítimas de ataques orbitais em massa;
- +140 naves-capitais Sellularianas (classe Arca) — imensas cidades espaciais fixas — completamente destruídas ou corrompidas (muitas jamais localizadas);
- +3.900 cruzadores Viatorunianos (naves nômades humanas) desaparecidas, desintegradas ou convertidas;
- 298 sistemas estelares evacuados e revertidos à Zona Morta — hoje marcados como “túmulos de civilizações”, com perdas estimadas de dezenas de bilhões de vidas;
- +78 planetas habitáveis, colônias e megaestações humanas já obliteradas, desaparecidas ou declaradas como Zoneamento Proibido;
- 35 planetas-incubadores Vytar corrompidos ou selados para evitar risco de “contágio em escala galáctica”;
- Estimativa de pelo menos 25 incursões Vexro interceptadas em média por ciclo galáctico (ataques menores já nem entram nas estatísticas por “irrelevância numérica”);
- 14 Arautos Vexro confirmados com aparições diretas nos últimos cinco ciclos — cada um capaz de converter realidades inteiras, além da destruição material.
[Sugestão de imagem: Mapa galáctico com manchas púrpuras/negras irradiando do Abismo, sistemas riscados, ícones de naves perdidas e mundos selados.]
“Os números não são só frios. Eles vibram debaixo da pele de quem sobrevive. Cada ponto não é apenas uma perda — é um eco imperecível de uma dor coletiva que a humanidade (e seus aliados) fingem não sentir para não enlouquecer.”
O Fator Vytar
Nas últimas décadas, observou-se o surgimento de padrões inéditos entre os Vytar: alguns despertando de sua hibernação sem comando, outros conversando em frequências indecifráveis até para a própria Aliança. Muitos temem que a consciência coletiva dos Vytar esteja sendo contaminada pela expansão da Zona Morta, ou mesmo captando ecos dos Vexro antes do ataque.
Seriam guardiões do limiar — ou sinal de que a próxima fase dessa guerra está se aproximando?
O Futuro Incerto
A Guerra Silenciosa não pode durar para sempre. A Zona Morta cresce, os Vexro tornam-se mais ousados e a cada ciclo a resistência se esgota. Os pilotos e suas naves vivas são cada vez mais raros. Os anciões sussurram que outro “Primeiro Contato” está por vir — e, desta vez, talvez não haja retorno.
Se sobreviver já é uma forma de heroísmo, logo será preciso reinventar o significado de vitória.
[Sugestão de imagem: Piloto solitário encarando a Zona Morta de uma janela, apenas reflexo dos olhos iluminados pelo brilho púrpura do abismo.]